não sou metade,
quando minha grande inspiração, Sonia Sumar, me batizou no yoga há 20 anos, eu já sabia que o caminho não seria fácil. E não foi. E não é.
ao longo dessa jornada, enfrento questionamentos e olhares tortos por não me encaixar nos “padrões” estereotipados do que esperam de um instrutor de yoga. Mas o que é um padrão? E quem o estabeleceu?
eu quis sair da caixa. O yoga foi o meu trampolim. Mas eu não queria apenas trocar de caixa – queria liberdade. Por isso me agarrei com unhas e dentes ao maior princípio ensinado no meu curso: Satya, a veracidade. Não crio personagens. Não fabrico uma imagem. Escolhi ser verdadeiro.
minha mãe, meu maior exemplo de vida, sempre diz: “A verdade está fora de todos os padrões fixos.”
Eu não sou um padrão fixo. E acredito que minha mãe também não é.
sigo vivendo, errando e, às vezes, acertando – como todo mundo. Não gosto de gente “mais ou menos”, de gente pela metade. A vida não acontece para quem é morno, o que eu não sou.
não vou mentir dizendo que amo incenso, que tenho voz de seda, que nunca como carne ou que não tomo remédios alopáticos. Gosto de dar aulas usando roupas pretas. Meu altar não tem velas nem deidades hinduístas; tem uma parede repleta de fotos das pessoas que amo.
ensino com alegria. Busco despertar essa essência em cada aluno. “Brinque! Brinque! Brinque!”, repete sempre minha professora – porque leveza também é profundidade.
u também brigo. Quando não é por mim, é por quem amo. Sou capaz de fazer um barraco homérico para defender um amigo. Mas carrego, na mesma intensidade, a capacidade de pedir perdão, de voltar atrás, de amar de primeira.
desmedidamente.

