ética

em sua origem os ensinamentos do yoga eram passados oralmente de mestre para discípulo. Esse perfil de tradição oral não nos permite datar o real surgimento do yoga mas através do estudo de escrituras antigas existe uma concordância de que o yoga surgiu aproximadamente, entre 5000 e 3000 a.c. Após milênios de anos de tradição oral, o yoga foi finalmente codificado por patanjali aproximadamente entre os anos 200 a.c. e 200 d.c. – em sutras – a forma literária praticada naquele tempo para escrituras. Os sutras é um metódo de escrita extremamente conciso, que traz o significado essencial do texto sem conter nada supérfluo.

patanjali

o yoga sutra de patanjali é reconhecido como o mais importante texto antigo do yoga, servindo como fundação filosófica e psicológica para todas as formas de yoga. Sua importância é tanta que muitas vezes patanjali é citado como o pai do yoga. Na verdade o que patanjali realizou foi a primeira sistematização completa dessa filosofia e fixou de maneira textual as bases da forma como é transmitida até hoje. Sua obra é a mais antiga sistematização do yoga que chegou aos nossos dias e foi incorporada como um dos seis pontos de vistas, (dárshanas), do hinduísmo. Podemos considerar os sutras de patanjali como um pequeno manual do que é chamado ashtanga yoga (ashta, oito; anga, partes) ensinando as oito etapas do caminho a ser percorrido pelo aspirante, culminando com a realização ou libertação da consciência. As oito partes deste processo são conhecidas também como raja yoga. São elas:

yamas e nyamas são condutas éticas que ajudam a tranquilizar a mente e devem ser praticadas paralelamente no dia a dia, aos poucos.

yamas (princípios de ética exterior) são eles: ahimsa, não violência, não agressão. Evitar ser agressivo e violento contra si e contra qualquer ser vivo. Satya, verdade em palavra, pensamento e ação. Dizer a verdade sem agredir e ofender a pessoa. Asteya,  não roubar, o tempo, dinheiro e ideias. Bramacharya, controle sobre o sexo. Aprahigaha, desapego de relacionamentos, das posses materiais. Viver com o necessário.

nyamas (princípios de ética interior) são eles: saucha, pureza interna e externa, limpeza do corpo, coração, mente e meio ambiente. Santosha, contentamento por ser. A sabedoria é buscar o equilíbrio entre a superação e respeitar o próprio limite em nas esferas da vida. Tapas, austeridade sobre si, disciplina, força de vontade. Swadhyaya,  estudo de textos sagrados, literatura e mantras. Ishvarapranidhana,  entrega a deus.

asana significa postura firme e confortável.

desde que fomos gerados assumimos uma postura na vida. Seja ela postura física ou ética. As posturas da yoga trabalham em todas as dimensões do corpo-mente-espírito, contraindo e relaxando os sistemas esqueléticos, musculares, cardiovasculares, digestivos, glandulares e nervosos. Ajuda a cultivar a concentração e a calma. Cada postura que adotamos diariamente na vida, seja ela interior (mental, atitude) ou exterior (postura física), pode beneficiar ou prejudicar esses sistemas.

quando assumimos uma postura correta e harmônica, através das práticas de asanas e pranayamas, rejuvenescemos o corpo e conseqüentemente aumentamos a longevidade. Através das posturas de yoga, adquirimos também um corpo saudável, forte, flexível, ágil, resistente e harmonioso pelo caminho de uma prática espiritualizada de ação.

pranayama é o processo de expansão da energia vital, usando a respira-ção. A palavra é a combinação de dois termos: prana, que significa alento, força vital, respiração, energia, vitalidade e ayama, expansão, controle, domínio, retenção, pausa. Segundo o yoga sutra, pranayama consiste em controlar o processo de inspirar e expirar. Na meditação, aumentamos o caudal de energia dentro do organismo. Mas, caso o corpo não estiver preparado, haverá conflito.

o domí­nio e a expansão do prana no corpo do praticante começa pela execução de determinados exercí­cios que consistem em dar à respiração um ritmo diferente daquele que caracteriza o estado de vigí­lia, visando a fazer com que ela flua ora de forma lenta e profunda, ora acelerada e vigorosa, de acordo com o efeito desejado. A razão disso é que existe uma relação estreita entre ritmo respiratório e estados de consciência.

gravura antiga com yogui praticando pranayama

gravura antiga com yogui praticando pranayama

pratyahara consiste na retração dos sentidos, é a faculdade de liberar a atividade sensorial do domínio das imagens exteriores. A mente é o maior obstáculo para meditar. Entretanto, antes de começar a trabalhar nela, precisamos então colocar todos sentidos sob controle. Desde o dia do nosso nascimento somos continuamente bombardeados por impressões, imagens, sons e sensações. Essas experiências alimentam o pensamento e nos arrastam para a experiência externa. Vivemos voltados para fora. O pratyahara serve para desvincular-nos dessa invasão das coisas do mundo exterior. Sem ele, é impossível alcançar a meditação.

dharana significa a concentração em um ponto só, se faz para limitar a atividade da consciência ao interior da imagem sobre a que se está meditando. Essa unidirecionalidade da consciência não pode conseguir-se sem prática regular. Paradoxalmente, na prática de concentração não devemos forçar as coisas, não devemos entrar em conflito com a nossa mente. Uma concentração forçada não é real, só provocará mais tensão.

dhyana é a meditação em si, consiste na não identificação com o fluxo do pensamento. A meditação é o resultado espontâneo da concentração da consciência, e constitui a preparação necessária para atingir o objetivo do yoga, o estado de iluminação. A meditação não pode ensinar-se. A rigor, as instruções sobre como meditar terminam na concentração. Depois, o praticante deve continuar sozinho. Todas as técnicas levam você a esse estado, desde que praticadas com regularidade. Não há palavras para descrever dhyana. A única coisa que podemos dizer é que vale a pena o esforço. Se você não experimentou esse estado, as palavras só irão provocar confusão e intelectualização. Ou seja, você vai ficar de fora de experiência real. Se você tiver experiência, saberá que palavras sobram, e que não podem ser usadas para descrevê-la.

samadhi  é a hiperconsciência, a liberação final, o estado de iluminação em que o contemplador se absorve no purusha, a consciência universal. No samádhi, o yogi se defronta face a face com experiências totalmente inacessíveis através do instinto ou da razão.

(fontes: yogashala, cris rosauro, pedro kupfer)

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